21.11.06

Pé de amora


Se permitir a comparação,
teu colo é como descansar
debaixo de um pé de amora
ao pleno romper da aurora,
contente apenas em apreciar
no céu, qualquer constelação.

És as folhas, o galho,
a terra molhada
a pele encharcada
por gotas de orvalho
o frio, o calor,
a ternura, o rubor.

És maior do que a figura
do pé de amora em toda sua altura.
Assoma todo um universo em particular
do nascimento ao renascimento,
que a natureza se encarrega de perpetuar
a todo segundo, a cada momento.

És a fruta que existiu outrora,
a semente certa semeada,
seiva! Chuva! Céu!
Entrepostos entre o mar e o mel,
fez-te linda, germinada
ó flor, delicada que é agora;
- sublime ponta de gêmula
que brisa acaricia trêmula.

Ah! Quanta paz
essa amoreira me traz!
E é tão puro, e sempre, e tanto,
que até o poetinha
cantaria ao encanto
da sua sombra à tardinha.
E do olor que, vê! Aflora!
Desse lindo pé de amora.

16.11.06

Meu tempo, a passar, foi indo...

Meu tempo, a passar, foi indo...
Se ontem eu quis dois corações, hoje eu não quero mais!
Pode até doer, se eu ficar fugindo
mas o bom é que o corpo só sente, quando olha pra trás.

Se não custa nada, por que não tentar?
Se um dia se acaba e outro dia vem pro lugar!

Quando se vê, é só mais um rosto
lindo, e se vai, só deixa o gosto...
e eu como que aceito o que é me imposto
sorrindo... o tempo, a passar, vai indo!

Parece que eu não entendo se fica ou se vai,
se aprendo, se esqueço, se bate ou se cai...
e o meu coração se retrai
sorrindo... e o tempo a passar, foi indo!

E o meu coração se retrai
sorrindo
e o tempo, a passar...
foi indo.

10.11.06

A História de Lily Braun

Como num romance
O homem de meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz

E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão foi desde então
Ficando blue

Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguando toda
Ao som do blues

Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris

E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê

Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz

Chico Buarque

7.11.06

Meu caminho é assim.


20 anos-luz, talvez,
nos separam de um infinito azul
Sente a sorte, sonhando se sê
Tantas quantas milhas rumo ao sul!

20 anos-luz, talvez,
Muito além da imaginação...
Ser criança quando eu crescer
Dar a volta em ti voando num balão!

Ah...
20 anos-luz, talvez...
Eu juro que faria até
mais um refrão!

5.11.06

Pedro Flora na Draft


É.

Dia 11 de novembro tem show do Armandinho na Draft.

E tem do Pedro Flora também!

Sábado, à partir de 18h, muita gente bonita, muita música legal!

Mais informações no www.augustovelasco.com.br

1.11.06

Dez da noite

to adorando ver
toda vez q eu conecto

ponho os meus olhos pra ler
leio baixo e discreto
e sinto crescer

na alma
no peito

amor com jeito de flor
quando quer florescer

amor desse jeito bonito
outro está pra nascer!